Joana Vasconcelos (Paris, 1971) é uma das artistas mais conhecidas da sua geração. Estudou em Lisboa e começou a expor nos anos 1990, mas foi apenas após a sua participação na Bienal de Veneza de 2005 — onde apresentou A noiva (2001-05), um gigantesco candelabro feito com tampões — que alcançou um amplo reconhecimento internacional. A noiva (2001-05) foi instalado na primeira sala da exposição principal da Bienal de Veneza, rodeado de trabalhos do grupo The Guerrilla Girls, criando de imediato um enorme burburinho e sendo classificado como uma das obras a não perder esse ano. Desde então, e ao longo dos últimos 14 anos, as obras de Vasconcelos têm sido alvo de numerosas apresentações, obtendo o apreço tanto do público como da crítica. Os seus projetos recentes incluem: uma exposição no Palácio de Versalhes em 2012, que atingiu os 1.800.000 visitantes; o seu projeto para o Pavilhão de Portugal na Bienal de Veneza de 2013 — Trafaria Praia, um cacilheiro que percorreu vários locais nos canais da cidade; ou uma exposição antológica no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, também em 2013. Ao longo deste período, Vasconcelos desenvolveu também um grande número de projetos públicos de escultura em diferentes partes do mundo.
Joana Vasconcelos usa diversos materiais da vida quotidiana na elaboração das suas obras, incluindo eletrodomésticos, azulejos, materiais têxteis, cerâmicas populares, mobiliário, garrafas, medicamentos ou talheres de plástico. Partindo destes materiais constrói obras surpreendentes, carregadas de significado, que exploram temas que vão de questões de identidade (indivíduo, mulher, nacional ou europeu) a temas políticos que se centram nas sociedades globalizadas pós-coloniais. O seu trabalho também recorre ao humor e às emoções, simultaneamente convocando a participação e a interpretação do espectador. A obra de Vasconcelos mistura ideias da cultura popular e erudita, clichés nacionais, técnicas de manipulação que incentivam o consumismo e um entendimento muito eficaz do espaço arquitetónico para nos convidar a repensar muito do que tomamos por certo no nosso dia a dia. A artista tanto recorre a técnicas artesanais tradicionais como a tecnologia de ponta para elaborar trabalhos que constituem situações sincréticas de densidade histórica e cultural — como uma visualização tridimensional de uma epopeia multicultural.
Enrique Juncosa (Palma de Maiorca, 1961) é escritor e curador.
Foi Diretor do Museu Irlandês de Arte Moderna em Dublin, de 2003 a 2012, emprego pelo qual lhe foi atribuída a Orden del Mérito Civil pelo Governo Espanhol. Anteriormente, tinha sido Diretor do Museu Rainha Sofia, em Madrid, e também do Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM) em Valencia, Espanha.
Enrique Juncosa já fez a curadoria de mais de 60 exposições em diferentes museus, incluindo a Whitechapel Art Gallery e Tate Britain, ambos em Londres. O Hamburguer Banhoff, Berlim; MAXXI, Roma; Musée des Beaux Arts, Nantes; Kunsthalle Bielefeld; SMAK, Gent; Astrup Fearnley Museet vor Moderne Kunst, Oslo; Guggenheim Museum, Bilbao; The Gulbenkian Foundation, Lisboa; MACBA, Barcelona; Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro; e o Pavilhão Espanhol na Bienal de Veneza. Juncosa está, neste momento, a preparar uma retrospetiva de Miquel Barceló para o Museu Nacional em Osaka.
Publicou mais de sete coleções de poesia e um livro de short stories. Escreveu ainda vários ensaios sobre Arte Contemporânea, alguns dos quais compilados no The Irish Years (Dublin, 2013).